SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Criação de centro de mar em Setúbal potencia estuário do Sado

A eventual criação de um centro de mar em Setúbal deverá ajudar a potenciar o desenvolvimento económico do estuário do Sado, de forma sustentável, no prazo de um ano. Ernâni Lopes, sócio fundador da SAER (Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco), entidade com a qual a autarquia está a manter contactos para desenvolver este projecto, explica que a criação de um centro de mar em Setúbal “assenta numa visão estratégica de futuro da economia portuguesa, que visa criar riqueza de forma sustentável”, à semelhança do que foi efectuado anteriormente ao longo do rio Lima, no norte de Portugal, e em Portimão.

A criação deste centro de mar em Setúbal, capaz de catalizar toda uma “dinâmica de desenvolvimento económico e social das regiões costeiras, com base em actividades fulcrais ligadas ao mar”, permitiria ao município “dar mais um passo em frente”, no sentido de impulsionar cada vez mais a cidade. “O domínio do hypercluster da economia do mar, do qual a criação de centros de mar faz parte, criaria riqueza de forma equilibrada na região, multiplicaria os efeitos modernizadores e dinamizaria actividades económicas com um vasto potencial, especialmente aquelas directamente ligadas ao mar”, acrescenta Ernâni Lopes.
 
Maria das Dores Meira, presidente da Câmara Municipal de Setúbal, partilha a mesma opinião da SAER, enfatizando as “excelentes reacções de várias entidades”, perante a proposta de vir a criar na zona um centro de mar. Apesar do agrado de alguns, a autarca lamenta que outras entidades ainda não tenham demonstrado interesse pela causa, nomeadamente o Parque Natural da Arrábida, a Reserva Natural do Estuário do Sado (RNES) e a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS). “O interesses deles é essencial para que se fale cada vez mais a uma só voz, tirando o máximo de proveito possível”, explica.
 
De acordo com Henrique Montelobo, administrador da Sonae Turismo, algumas das potencialidades do estuário do Sado assentam na náutica de recreio, no birdwatching e na visitação, embora, na sua opinião, “persistam constrangimentos que há que ver ultrapassados”. “A falta de cais de acostagem, que permitam a visitação, e a excessiva regulação, que impede a instalação de novas marinas, são obstáculos a este desenvolvimento”, reitera Henrique Montelobo, enfatizando que os “impactos decorrentes desta actividade turística são menos lesivos para o ambiente do que a actividade industrial”.
 
O administrador da Sonae Turismo considera que o estuário do Sado “é uma fábrica da biodiversidade, com sapais, salinas, roazes, avifauna e paisagens magníficas”, pelo que é importante não só por si, mas igualmente para o turismo. A propósito da náutica de recreio, Henrique Montelobo explica que a zona reúne “a navegabilidade essencial durante todo o ano e uma oferta hoteleira capaz de dar resposta à procura”, embora ainda exista a necessidade premente de serem “construídas mais infra-estruturas e de ajudar as pequenas e médias empresas de animação turística, capazes de ajudar a desenvolver a zona”.
 
Confrontado com a eventual criação de um terminal de cruzeiros na região, o administrador da Sonae explica que “não” acredita no projecto, devido à actual conjuntura económica do país e da concorrência “de peso”, nomeadamente Lisboa. Apesar disso, Henrique Montelobo adianta que a Sonae está a projectar o desenvolvimento de uma grande marina na zona da margem sul, embora o projecto esteja ainda “numa fase muito embrionária”. “Mesmo tendo em conta as restrições impostas pelo plano de ordenamento da RNES, o estuário do Sado continua a estar cogitado, de entre outros locais, para acolher esse projecto”, enfatiza.
 
Bruno Cardoso
Setúbal na Rede
04.Jun.2010

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