SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Crise em Portugal tornou-se endémica e corroeu base de apoio do Governo

A Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR) considera que a crise em Portugal tornou-se endémica, com a colectividade nacional desmobilizada e desorientada, em artigo publicado na edição de Dezembro do seu Relatório.

No texto de abertura da publicação, agora divulgada, afirma-se que "a instabilidade tornou-se endémica", o que se exemplifica com a erosão da base eleitoral que sustentou a maioria absoluta obtida pelo PS nas eleições legislativas de Fevereiro de 2005.

Oito meses depois, prossegue a publicação da empresa que é gerida por Ernâni Lopes, as eleições autárquicas de Outubro mostraram que essa base de legitimidade eleitoral já foi relativamente afectada, "persistindo a legitimidade formal de base parlamentar que sustenta a continuidade da fórmula de governo".

O texto, não assinado como é norma da publicação, acentua que a afectação da legitimidade eleitoral se traduz na mencionada legitimidade formal, mas sem que esta tenha associada "uma efectiva mobilização colectiva".

Desta forma, acrescenta, "a transferência das expectativas para a eleição presidencial aparece como paradoxal, na medida em que é uma transferência para um órgão de soberania que não governa".

Além de paradoxal, esta transferência é ainda vista como "sintomática", uma vez que "a sociedade procura um eixo de referenciação, um elemento estável que tenha credibilidade como regulador e como orientador num sistema político que não se tem mostrado capaz de fixar a legitimidade e de estruturar a confiança no futuro".

Nas análises da publicação da empresa de Ernâni Lopes é ainda salientado que a crise portuguesa é um caso particular de uma crise mais geral, europeia, em que avultam Alemanha e França.

"A União Europeia das oportunidades também será a dos problemas", afirma-se.

Considera-se, por fim, que as crises francesa (diluição da importância internacional; conflito cultural entre; violência urbana) e alemã (instabilidade governamental) são mais do que crises nacionais - "são sintomas de uma crise europeia generalizada" - que "pode aparecer inesperada na perspectiva do passado, mas que se apresenta como consistente e continuada quando se observa na perspectiva dos futuros possíveis".
DE com Lusa
2006-01-17

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