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SaeR: PEC pode não ser suficiente

Depois das dúvidas levantadas pela Comissão Europeia, também o presidente da SaeR – Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco -, Ernâni Lopes, tem reticências em relação ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) apresentado pelo Governo.

“Parece-me que não será suficiente, não porque seja mal feito, mas porque a realidade exige muito mais”, afirmou aos jornalistas na apresentação do relatório trimestral deste organismo. O ex-ministro das Finanças lembrou ainda que “o PEC não é uma lista de medidas”, mas antes “um guião de orientação política”. “As medidas não estão tomadas. Em bom rigor, o PEC não está formalizado”, sublinhou.
 
“É praticamente certo que vários países europeus, e Portugal em particular, vá fazer um processo de ajustamento muito forte. E não será um ajustamento ‘light’ nem com boas notícias pelo meio”, afirmou o economista.
 
Questionado sobre a necessidade de um eventual congelamento salarial, Ernâni Lopes foi claro: “Não excluo essa hipótese, mas só o Governo tem a informação certa sobre isso.” E não pôs de lado uma eventual subida do IVA. “O IVA não será um imposto inteligente, porque não há impostos inteligentes, mas sendo todos os impostos estúpidos, o IVA é o mesmo estúpido deles”, concluiu.
 
Para o ex-ministro das Finanças, “quanto mais for [o ajustamento da economia] mais difícil do ponto de vista técnico e mais penoso do ponto de vista social será”. Pelo que, questionado sobre se o Governo não está a demorar muito tempo a concretizar um pacote de medidas de estabilização da economia, Ernâni Lopes foi claro: “A minha opinião é que sim, mas não tenho o poder de decisão, deve perguntar isso ao Governo”.
 
SALÁRIOS DOS GESTORES
Ernâni Lopes defendeu ainda ser necessário alterar os vencimentos nas grandes cotadas em que o Estado tem participação, como a PT ou a EDP. “Qualquer coisa vai ter que se fazer. Ou participar, ou reduzir, pois haverá um momento em que não vai ser possível gerir a tensão entre trabalhadores e gestores destas empresas”, sublinhou.
 
APOIO À GRÉCIA
Para o ex-governante, a ajuda à Grécia “é um daqueles temas que não merece dúvidas”. “Portugal não tem qualquer autoridade política nem moral para se recusar” a participar no empréstimo de ajuda a Atenas.
Ernâni Lopes admite que é possível questionar sobre se a definição do montante a contribuir é o correcto, mas assume que a solução encontrada “é inequívoca”.
 
Diana Ramos
 
Correio da Manhã
13.Abr.2010
 

 

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