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Ambiente pode ser motor para a economia do país

O ambiente pode ser a ‘salvação’ para o desenvolvimento sustentável da economia portuguesa. Quem o defende são os consultores da SaeR, no estudo Ambiente, Economia e Empresa, coordenado por Ernâni Lopes e apresentado hoje, no Museu da Electricidade, com o apoio do SOL. O antigo ministro das Finanças defende que «a integração destes três temas contém um largo espectro de oportunidades de negócio».

Esta ‘aliança’, defende, pode criar riqueza, gerar postos de trabalho, abrir novas perspectivas de desenvolvimento tecnológico e, acima de tudo, «aperfeiçoar a passagem à prática do princípio teórico de desenvolvimento sustentável, encarado como passo intercalar no percurso para o estabelecimento da indispensável relação simbiótica entre ambiente e economia».

Portugal tem evoluído a ‘passos largos’ neste campo. «Houve um grande progresso nas últimas três décadas. Mas, obviamente, há muito, talvez muito mais, ainda por fazer», explica Ernâni Lopes, sublinhando, no entanto, que «há boas razões para continuarmos atentos e, basicamente, confiantes».

O livro aprofunda quatro teses fundamentais: o ambiente e a economia não são contraditórios, muito menos inimigos; para além do conceito de desenvolvimento sustentável, importa desenvolver o de relação simbiótica entre ambiente e economia; o corpus de maior desenvolvimento potencial é o da investigação dos oceanos; e o ambiente constitui um dos mais importantes domínios de potencial de desenvolvimento económico e social de Portugal.

Como forma de comprovar estas teses temos visto «os esforços crescentes de alguns dos principais grupos económicos de origem portuguesa, como a EDP, a Galp ou o BES», destaca o antigo ministro das Finanças». «Convém também não esquecer que existe uma herança histórica cumulativa do desenvolvimento económico e social, com a depredação do ambiente. O capitalismo enriqueceu a destruir o ambiente, mas vai enriquecer muito mais a despoluir e a protegê-lo, pelo que está em pleno processo de gestação um largo espectro de oportunidades de negócio», sublinha.

A introdução de novas tecnologias também pode ditar o futuro do Ambiente. Apesar de já existirem, ou estarem prestes a surgir, tecnologias que podem reduzir de forma substancial o uso de energia provinda da aplicação de diversos recursos naturais – com implicações na diminuição das emissões de dióxido de carbono –, o Governo terá sempre a ultima palavra. Segundo o estudo, os Estados continuam a ser os principais responsáveis, no sentido de criarem as condições necessárias para uma mudança centrada naquilo no padrão sustentável de produção e consumo.

Nuno Ribeiro da Silva, Manso Neto e Syanga Abílio debatem Ambiente

O presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, o vice-ministro do Ambiente de Angola, Syanga Abílio, e o administrador da EDP, Manso Neto, são os oradores da quinta sessão do ciclo de conferências sobre Os Grandes Desafios de Portugal nos Alvores do Século XXI, promovido pelo SOL. Subordinado ao tema Ambiente, Economia e Empresas, o encontro – que decorre hoje no Museu da Electricidade, em Lisboa, a partir das 9h30 – vai servir também para apresentar o livro, com o mesmo nome, elaborado pela SaeR, sob a coordenação de Ernâni Lopes.

Em debate estará o benefício da integração dos três sectores, bem como as vantagens que poderá trazer para a sustentabilidade económica do país. A primeira conferência deste ciclo foi dedicada ao tema A Economia no Futuro de Portugal, a segunda versou sobre Cidades e Desenvolvimento e a terceira foi sobre A Constelação do Turismo na Economia Portuguesa, que contou com as presenças de Faria de Oliveira, presidente do conselho de administração da CGD, e do CEO do Grupo André Jordan, Gilberto Jordan. A última conferência, que decorreu no mês de Abril, teve como tema Empresas, Inovação e Internacionalização.

 

Sara Ribeiro

Sol

18.Jun.2010

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