SaeR - Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco

Eleições presidenciais não alteraram as debilidades de Portugal

A Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR) considera, em artigo publicado no relatório datado de Março, que "o horizonte português não foi substancialmente alterado com a realização de eleições presidenciais em Janeiro".

 
No artigo, não assinado como é norma da publicação, afirma-se que "embora o resultado deste confronto entre personalidades do primeiro plano na política portuguesa seja significativo em termos da história eleitoral, não constitui uma alteração substancial em termos das possibilidades estratégicas".

No texto da empresa dirigida por Ernâni Lopes justifica-se esta tese com o entendimento de que "a campanha eleitoral [não] foi clarificadora das vulnerabilidades estratégicas da economia e da sociedade portuguesas".

Por outro lado, acrescenta-se, "uma só instituição [não] poderá, por si, remover os bloqueamentos que condicionam o horizonte português ou neutralizar as redes distributivas que distorcem a afectação dos recursos que deveriam ter como prioridade actividades de modernização".

O autor do artigo considera que os dirigentes portugueses não reconheceram a tempo e horas a mudança das circunstâncias internacionais.

Desta forma, "o caso português mostra o efeito da precipitação dos acontecimentos quando se adia o reconhecimento da mudança das circunstâncias".

O desmoronar do modelo de especialização da economia portuguesa foi o resultado concreto deste adiamento.

"Um modelo de especializações baseado nos custos de trabalho não qualificado e na protecção estatal do mercado nacional desmorona-se quando as economias emergentes ocupam essa gama de produção e quando as normas proteccionistas têm de ser abandonadas em função das regras do mercado único europeu e da disciplina da moeda única", justifica o autor.

Para mais, prossegue, as empresas portuguesas apresentam-se vulneráveis à aquisição por centros externos ou à falência por falta de competitividade, quando se desenvolve na Europa um processo de estabelecimento de redes empresariais de escala continental.

A economia portuguesa surge assim sem centros empresariais com capacidade de acumulação de capital para resistir às ofensivas externas ou tomar a iniciativa através de investimentos de inovação.

Estas incapacidades agravam a situação da economia portuguesa, que aparece bloqueada pelos défices orçamental e comercial, dependente dos empregos e das receitas dos sectores dos bens não transaccionáveis e com a possibilidade de reconversão estratégica dependente da capacidade de atracção de investimentos externos, conclui-se.
 
DE com Lusa
11-04-2006

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