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Gestores defendem fim do investimento

Reunidos ontem num encontro dinamizado pela Fernave, vários gestores e ex-responsáveis por empresas públicas do setor defenderam que é necessário parar o investimento, repensar a gestão do setor e criar um modelo institucional com um regulador forte. O evento, que lançou um olhar aprofundado sobre os motivos da dívida do setor dos transportes, de 17 mil milhões de euros, contou com as participações dos presidentes da Carris, José Silva Rodrigues, e da Fernave, Rui Lucena; o representante do CEEP Portugal, Manuel Frasquilho, além de António Ramalho, que irá assumir o cargo de Presidente das Estradas de Portugal, e José Poça Esteves, sócio da SAER.
 
Para Silva Rodrigues, o setor dos transportes «não é mais sustentável», pelo que «é preciso introduzir uma profunda reforma nestas empresas». O responsável defendeu que a privatização das empresas públicas «é o caminho desejável e correto» e que «em muitas partes do mundo tem-se vindo a fazer a privatização ou a concessão à gestão privada do transporte. Isso, aliás, está previsto no Programa do Governo, no Plano Estratégico dos Transportes. Do meu ponto de vista, essa privatização pode trazer um ganho acrescido de eficiência no funcionamento das empresas, tornando-as menos dependentes do poder político do Estado». A dependência do poder político foi, de resto, uma das principais causas enunciados para o crescimento da dívida. «Os gestores públicos são condicionados pelo poder político», afirma Silva Rodrigues, adiantando que «não é tanto um problema de gestores, é mais um problema de gestão» e que «a desgovernamentalização destas empresas tem valor acrescentado em eficiência». Mas, para que a reestruturação do setor corra bem, o responsável alerta para a necessidade de existir um regulador forte e de se definir o que é o serviço público e qual o seu valor.
 
Manuel Frasquilho partilha da maioria destas opiniões, sublinhando que a dívida é «fruto da ausência de planeamento», sendo que muitos dos investimentos não foram decidos pelas empresas, mas pelos Governos, tendo existido «muito investimento errático». O representante do CEEP Portugal considera, no entanto, que «uma parcela dos transportes deve continuar na esfera pública», embora possa ser assegurada através da contratualização. No que diz respeito ao caminho a seguir, a posição de Manuel Frasquilho é que «há que ponderar o custo-benefício das várias alternativas», mostrando-se preocupado «não tanto com a questão de ser ou não privatizável, mas com a ausência de tempo e ponderação para que efetivamente tenhamos soluções racionais e sustentáveis». Na sua opinião, existe um problema político e é necessário encontrar um modelo de governação para a mobilidade equilibrado.
 
José Poças Esteves, da SAER, afirmou também que «existe uma total confusão entre o acionista, o operador, o regulador, o Estado e o que é o serviço público», defendendo que «se não houver organização, não há racionalidade económica e sobretudo financeira». O responsável adverte para a necessidade de não esquecer que, no futuro, «a dívida terá de ser paga», o que só poderá ser «assegurado pelo crescimento da economia», pelo que «é necessária uma lógica e estratégia para o crescimento».
 
António Ramalho reiterou que «o equilíbrio operacional terá de ser alcançado rapidamente», defendendo que não se deve aplicar apenas «o conceito de utilizador-pagador, mas também o benificiário-pagador», trazendo para o sistema os contributos financeiros daqueles que beneficiam da rede de transportes, como o setor imobiliário. O futuro presidente da EP afirmou que os investimentos feitos no passado não tiveram em conta os resultados e que as empresas foram obrigadas a financiar-se fora para colmatar os prejuízos operacionais provocados pelas más decisões de investimento. Para António Ramalho é obrigatório estancar o investimento, já que «este é o momento para fazer um planeamento estratégico».
 
 
Andreia Amaral
Transportes em Revista
04.04.12

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